segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Meu antepenúltimo encontro com: Dalila Leite​.





    "Vamos, vai ser legal!"- Foi o que me disse, em 2012, quando eu, você e o Ian​ fomos à Virada Cultural.
    Nós andamos muito, e, no meio do caminho, você decidiu, por força do clima festivo da cidade, comprar uma lata de cerveja de um cara estranho numa esquina que fedia a urina. Nesse momento, me lembrei das palavras de seu Pai/padrasto, que permitiu que você saisse na madrugada comigo com uma única e especial condição: "Tome conta da minha filhinha! Ela é meu bebê!". Na hora, quando eu vi você com uma nota de 10 reais na mão, pronta pra pegar a cerveja (sendo que ainda não era de maior idade), tive um pequeno impulso moralista e peguei no seu braço dizendo: "Você não vai comprar essa merda!". Lembro dos seus olhinhos arregalados com a cabeça inclinada, como se perguntasse: "Oi? Por que?". Mas era a minha responsabilidade, ou aquilo que eu acreditei ter, de irmão mais velho. Todavia, deixamos o suposto vendedor a ver navios....
    Finalmente, havíamos chegado ao palco, onde a banda Mutantes iria se apresentar. Eu NUNCA tinha ouvido falar nessa banda, mas acreditei que seria legal, pois você mesma disse que era legal!
      Então o show começou...
    Músicas que falavam de Dom Quixote, chicletes, "plift-plaft-pluft" etc., me faziam questionar o que era tudo aquilo. Eu olhava para o Ian, ele também olhava para mim e, sem pronunciar uma palavra se quer, dizíamos juntos: "Que p#rra é essa?"... até que essa questão foi silenciada de fato, quando eu via você pulando e cantando aquelas músicas malucas! Você estava tão viva, que mal pude criticar tal comportamento... eu também estava feliz, por você!  
     Foi quando essa música chegou...
    O cheiro de maconha estava insuportável. Eu estava cansado de ficar em pé. Mas foi quando um homem com cara de drogado ficou te olhando, e quando você veio para o meu lado, com medo dele, que eu estive disposto a entrar em uma briga, caso ele mexesse com você. Porém, tudo isso acabou quando a Balada do Louco começou. O centro de São Paulo se transformou em um manicômio a céu aberto. Meu acanhamento se foi quando essa música chegou aos nossos ouvidos. Eu me sentia vivo, e você viu isso. Eu me senti como mais um louco, e você me guiava nessa loucura. Toda a minha vergonha de viver tinha ido por água abaixo! Quem iria imaginar que uma banda dos anos 70-80 iria fazer me sentir vivo novamente? Isso não teria acontecido sem a sua presença.
    Depois daquele dia, o meu mundo começou a mudar...
"Por que eu tenho medo, vergonha ou receio de ser feliz?"
"Qual é o sentido da vida?"
"O que é viver?"
     Minha mente tornou-se um saco sem fundo de questões e insatisfações.
    Na época, eu ainda trabalhava como técnico de informática, na Vikstar. Uma ótima empresa, mas eu não gostava do meu ofício. Lá aprendi muitas coisas, mas nada comparado ao que você me ensinou naquele dia, por meio da arte, e em outros dias, por meio da vida...
"Eu vou passar o resto da minha vida trabalhando com algo que não gosto?"- Eu me questionava todos os dias, naquele ano.
    Foi quando, no final do ano, eu joguei tudo pro alto! Como aquele que é chamado de louco que rasga o dinheiro, eu larguei uma vida, financeiramente próspera, para caminhar em direção à minha felicidade, à minha essência! E isso tudo aconteceu porque você disse para mim, enquanto procurávamos o palco do Mutantes, que aquilo seria legal....

"Mas louco é quem me diz, e não é feliz... eu sou feliz."♪

Muito obrigado, Lila! Eu te amo, minha amiga! 

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