segunda-feira, 22 de julho de 2019

Sufocado




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Há muito tempo não sentia o peito corroer. Desde muito tempo, o fogo que arde sem se ver estava preso num conceito estético que alimentava o ego de um ser egoísta, na tentativa de galantear alguma alma carente pelo seu bel prazer. No presente instante, faço esse desabafo na tentativa de respirar livre de um sentimento esdrúxulo que me envolveu há pouquíssimo tempo. 
O que tudo começou como um joguete sociável, como uma brincadeira entre universos distintos, tornou-se uma avalanche de supernovas no âmago de minh'alma.

    Você veio cedo demais...

O medo do karma chega à porta da minha consciência como uma visita extremamente indesejável (não quero deixá-la entrar!). A confusão, a alegria, o medo, a esperança são alguns dos sentimentos que, juntos, formam uma trança de antíteses que amarra a minha garganta, impedindo-me de respirar durante à noite. Cá estou, como quem quer vomitar o excesso das emoções que tiram a paz do indivíduo; a sua liberdade!  

Mas não consigo,,,

O que resta a mim neste patético momento, é a confissão de um pecador que teme que o pecado volte para ele assim como um filho bastardo volta ao pai desnaturado exigindo a sua explicação! Para quem é esta confissão? Nem mesmo sei! Mas espero que seja para quem despertou essa amálgama imperfeita de paixões que corrói o coração deste quem escreve.

EU PEQUEI! 

Cometi o pecado da ignorância!
Cometi o pecado da solidão!
Cometi o pecado do egoísmo!

A ignorância fez-me um ser ingênuo o suficiente para acreditar que o coração não sente o outro! Negligenciei o apelo de inocentes pelo ego ferido! Sempre fui o perverso que cortava a corda de quem pedia socorro...

Agora sou eu quem estou dependendo da corda para viver,
e a faca está em tuas mãos...

 Negligenciei o grito de dor da consciência pela falta de carinho, por uma suposta solidão! 
    
Solitário é aquele que não consegue respirar sozinho...,

Solitário é aquele que não é capaz de enxergar com os próprios olhos...

Solitário é aquele que finge a dor que deveras sente para conseguir o alento de outra alma...

Solitário
               é 
                           quem
                                         cai
e fixa...


Não quero reviver aquele monstro que outrora feriu a quem não merecia.
Não quero ser louvado eternamente por algo que não sou
Não quero ser a luz de um poço sem fim
Não quero tomar as consequências de meus atos levianos...


Só espero que não seja tarde demais,
pois, por mais que nem imaginas
por mais que nem te importes 
já estou em tuas mãos...
(sobre o meu pescoço)