quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Terceiro round

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Despertei, mas o corpo ainda pende em direção ao leito.
O coração está morno como a xícara de café abandonada por alguém que estava com pressa de sair. 
O choro de ontem repercutiu aos quatro cantos de lugar nenhum: 
ninguém se quer ouviu o lamento de um coração quebrado.
Os cacos de esperança caíram no chão no momento em que tentei me levantar da cama, 
porém não os recolho...
Ao invés disso, arrasto-os para debaixo da cama. 

Como de costume, tento me reerguer após o knock-out.
Mas não era de costume esperar o golpe vindo de você,
Então me contorço novamente na vã tentativa de olhar para o rosto do meu adversário,
mas vejo que não há mais ninguém,
nem mesmo eu...

Cantei vitória antes da luta, pois acreditei que meu adversário era previsível...
Com o fogo fui queimado sem ao menos vê-lo,
A ferida dói, dói, dói, dói e muito...
muito...
A carne expõe o patético rubro. 

O peito pesa, 
a respiração é fraca,
anseio
ar...

Adormeço novamente...


quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Indignação

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É impressionante como qualquer sinal
signo
som
que me remete a ti
traz de volta aquela vã esperança,
traz-me novamente aos rincões da minha insignificância no mundo vasto;
traz-me novamente ao meu eu errante...

Assim como um ex-criminoso que repudia a sua própria abstinência do crime,
eu repudio a minha própria conduta diante às suas possíveis evidências!
Então respiro...
bem...
fundo...
e adormeço...
...

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Sufocado




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Há muito tempo não sentia o peito corroer. Desde muito tempo, o fogo que arde sem se ver estava preso num conceito estético que alimentava o ego de um ser egoísta, na tentativa de galantear alguma alma carente pelo seu bel prazer. No presente instante, faço esse desabafo na tentativa de respirar livre de um sentimento esdrúxulo que me envolveu há pouquíssimo tempo. 
O que tudo começou como um joguete sociável, como uma brincadeira entre universos distintos, tornou-se uma avalanche de supernovas no âmago de minh'alma.

    Você veio cedo demais...

O medo do karma chega à porta da minha consciência como uma visita extremamente indesejável (não quero deixá-la entrar!). A confusão, a alegria, o medo, a esperança são alguns dos sentimentos que, juntos, formam uma trança de antíteses que amarra a minha garganta, impedindo-me de respirar durante à noite. Cá estou, como quem quer vomitar o excesso das emoções que tiram a paz do indivíduo; a sua liberdade!  

Mas não consigo,,,

O que resta a mim neste patético momento, é a confissão de um pecador que teme que o pecado volte para ele assim como um filho bastardo volta ao pai desnaturado exigindo a sua explicação! Para quem é esta confissão? Nem mesmo sei! Mas espero que seja para quem despertou essa amálgama imperfeita de paixões que corrói o coração deste quem escreve.

EU PEQUEI! 

Cometi o pecado da ignorância!
Cometi o pecado da solidão!
Cometi o pecado do egoísmo!

A ignorância fez-me um ser ingênuo o suficiente para acreditar que o coração não sente o outro! Negligenciei o apelo de inocentes pelo ego ferido! Sempre fui o perverso que cortava a corda de quem pedia socorro...

Agora sou eu quem estou dependendo da corda para viver,
e a faca está em tuas mãos...

 Negligenciei o grito de dor da consciência pela falta de carinho, por uma suposta solidão! 
    
Solitário é aquele que não consegue respirar sozinho...,

Solitário é aquele que não é capaz de enxergar com os próprios olhos...

Solitário é aquele que finge a dor que deveras sente para conseguir o alento de outra alma...

Solitário
               é 
                           quem
                                         cai
e fixa...


Não quero reviver aquele monstro que outrora feriu a quem não merecia.
Não quero ser louvado eternamente por algo que não sou
Não quero ser a luz de um poço sem fim
Não quero tomar as consequências de meus atos levianos...


Só espero que não seja tarde demais,
pois, por mais que nem imaginas
por mais que nem te importes 
já estou em tuas mãos...
(sobre o meu pescoço)