A noite afundava em agonia junto a um laptop.
De repente, o farol verde da tela toma vida novamente: “Por favor, torture-me com
suas palavras!”.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
domingo, 26 de janeiro de 2014
Kefrin
Em
alguma quarta feira de Julho de 2007, era período de férias para todas as
crianças travessas e adolescentes com seus sentimentos à flor da pele. Eu e
meus amigos, Manuel, Roberto e Camila combinamos em uma noite anterior de sair
para conhecer um pessoal. No começo tinha ficado um pouco sem jeito, pois
sempre fui tímido e iríamos conhecer uns amigos do Roberto, que para o desgosto de toda a vizinhança, era um jovem bem estranho.
Nós todos nos encontramos em frente de casa e dali partimos rumo ao nosso destino.
Roberto e Camila pareciam animados, eles namoravam naquela época. Mas
eu e Manuel estávamos um pouco receosos. Porém, achei estranho o fato de Manuel
estar desconfortável naquela situação, ele sempre foi o jovem mais alegre e sociável dentre todos ali.
Quando
chegamos em frente ao local marcado, lembro-me de ter pensado e questionado o porquê de
estar ali, pois se minha mãe me visse ali com certeza ela me mataria! Pensei...
“Entrem com o pé direito e peçam licença” – disse
Roberto entre dentes. Era um cemitério. Entramos todos, respeitosamente, assim como combinado. Ao
passar o grande portão reparamos que a rua do cemitério estava deserta, mas não parecia que
estávamos sozinhos. Isso me fazia mal. O dia não estava mais tão claro, sentia
como se os mortos estivessem olhando com curiosidade e dizendo: “O que vocês
estão fazendo aqui?”. Isso fazia meu coração me sufocar como se tivesse em desespero querendo se livrar daquela situação.
A cada passo que dava em direção ao centro do cemitério era como a caminhada para a morte. Pensei em ir embora, mas como eu era o mais novo queria mostrar a todos que era maduro e corajoso o suficiente para conhecer esses amigos do Roberto. Minha rebeldia impedia que eu voltasse atrás, assim como forçava a desafiar tudo aquilo que era proibido para mim. A rebeldia dos meus 13 anos de idade me animava um pouco, mas, mesmo assim, eu sabia que estava indo longe de mais.
A cada passo que dava em direção ao centro do cemitério era como a caminhada para a morte. Pensei em ir embora, mas como eu era o mais novo queria mostrar a todos que era maduro e corajoso o suficiente para conhecer esses amigos do Roberto. Minha rebeldia impedia que eu voltasse atrás, assim como forçava a desafiar tudo aquilo que era proibido para mim. A rebeldia dos meus 13 anos de idade me animava um pouco, mas, mesmo assim, eu sabia que estava indo longe de mais.
Sentamos
em alguns bancos que tinha no meio do pátio de túmulos. Por um momento me senti
mais confortável. A nuvem que cobria o sol já havia ido embora. Camila e
Roberto acenderam seus cigarros Marlboro, Roberto tirou duas garrafas de vinho
barato de uma sacola de supermercado e me ofereceu. Manuel também acendeu um
cigarro, pensei em pegar um também, mas eu não gostava do cheiro e não sabia
tragar. Fiquei apenas com a bebida.
“Um
dos meus amigos não poderá vir” – disse Roberto acendendo o cigarro na boca. Eu
ouvi e senti um grande alívio, mas durou pouco quando ele disse que o “outro
amigo” queria me conhecer. Senti um frio na espinha.
Depois de dar um grande gole na garrafa de vinho, impulsionado pela minha rebeldia,ao invés de perguntar o porquê desse amigo querer me conhecer, falei para o Roberto chamar ele logo. Ele deu uma gargalhada rouca e disse: “está bem!”.
Roberto sentou de cabeça baixa, fechou os olhos com as mãos unidas como uma prece, falava baixo como se orasse ao seu “Deus”, mas não para pedir perdão, e sim como uma ordem. O vento soprou mais forte nesse momento e eu perdi o interesse no vinho barato, senti o líquido voltando do meu estômago. Me distraí olhando para o sobretudo negro de Roberto, quando de repente ouvi a sua voz, estava um pouco mais rouca do que o normal, e isso me assustou. “Olá jovem ritualista”- disse o que deveria ser o Roberto.
Depois de dar um grande gole na garrafa de vinho, impulsionado pela minha rebeldia,ao invés de perguntar o porquê desse amigo querer me conhecer, falei para o Roberto chamar ele logo. Ele deu uma gargalhada rouca e disse: “está bem!”.
Roberto sentou de cabeça baixa, fechou os olhos com as mãos unidas como uma prece, falava baixo como se orasse ao seu “Deus”, mas não para pedir perdão, e sim como uma ordem. O vento soprou mais forte nesse momento e eu perdi o interesse no vinho barato, senti o líquido voltando do meu estômago. Me distraí olhando para o sobretudo negro de Roberto, quando de repente ouvi a sua voz, estava um pouco mais rouca do que o normal, e isso me assustou. “Olá jovem ritualista”- disse o que deveria ser o Roberto.
Na
hora senti como estivesse falando com minha própria morte, minha garganta
apertou como se alguém estivesse me sufocando. Minha rebeldia se converteu em
um pavor que não pude descrever. Tentei ignorar, mas sabia que era comigo com quem “ele”
estava falando. “Não se assuste, meu nome é Kefrin! Serei o seu guia a partir
de hoje” – disse Kefrin, como se acabasse de acordar de um sono profundo. Com o pouco de coragem que me restou, sabia
que não estava ouvindo mais o Roberto, a presença era realmente de outra
pessoa, ou entidade; perguntei: “Como assim meu guia? Quem é você?”. ”Sou um
demônio, o mais jovem dos meus 6 irmãos. Serei seu guia até a hora de sua
morte” – Kefrin respondeu e terminou com uma gargalhada extremamente rouca.
Lembro-me de sentir como se tivesse ganhado o pior presente do mundo, não apenas aquele que
não traz satisfação, mas aquele que traz problemas. O pior dos problemas eu
arrumei para mim desde o momento que pisei no cemitério, inflado com o ego e a
rebeldia dos meus 13 anos de idade. Pensei em orar o pai nosso, mas fui surpreendido
por Camila que gargalhava e dizia que não tinha mais jeito. "Eles gostou de você!" - disse ela rindo.
Se aquilo fosse um pacto com o demônio, com certeza fui prestigiado. Eu sentia
a minha culpa como as batidas do meu coração, nem queria imaginar como seria
minha vida depois desse encontro, estava desesperado.
Depois
de 2 minutos, que mais pareciam 2 horas de terror, Kefrin desmaiou, ou aquilo
que deveria ser o corpo de Roberto. Camila lhe deu um beijo na boca e depois
deu um trago no cigarro ainda pela metade. Aquilo foi um beijo tão forçado quanto a
minha vontade de continuar ali. Quando olhei para o lado, reparei que Manuel olhava
para cima. O pavor dos seus olhos verdes era nítido. O pavor tomou conta de sua personalidade astuta, e ele correu como se sua
vida estivesse em perigo.
Ainda no chão, Roberto disse para ir atrás de
Manuel e que não deixasse sair do cemitério. Não pensei duas vezes, corri atrás
de Manuel, não para impedi-lo, mas para fugir daquele pesadelo junto com ele. A
rua do cemitério parecia não ter fim, parecia que os espíritos desencarnados
puxavam o asfalto como se fosse um tapete de esteira. Os mortos zombavam de
nossas caras apavoradas. O cansaço chegava em minhas pernas, mas a lembrança de
Kefrin era poderosa o suficiente, capaz de dar forças para enfrentar aquela rua
sem fim.
Quando
menos esperei, estava fora do cemitério do outro lado da avenida ao lado de
Manuel, que chorava muito.“Senti como se fosse morrer, cara. Nunca mais quero
fazer isso, vou me distanciar desses caras” “ – dizia Manuel numa voz chorosa.
E dali fomos embora, cada um para sua casa.
Cheguei
em casa em passos rápidos, não pensei em voltar para saber de Roberto, da
Camila, e muito menos de Kefrin. A casa estava sozinha. Entrei no meu quarto e me tranquei assustado. E se Kefrin
realmente tinha se tornado o meu guia, ele poderia, pelo menos, fazer a gentileza de me dar
um tempo de privacidade. Acredito que ele ouviu a minha prece.
Em
algum dia nos dias de hoje, depois de um bom tempo, resolvi registrar uma informação
no diário que tive após a minha adolescência rebelde: “como conheci Kefrin”.
Posso dizer que nos tornamos grandes amigos, e que aquela relação de guia e
guiado nunca existiu, e se existe, mais pareceu como uma dupla de idiotas que
não sabem para onde vão. E com muitas discussões, muitas desavenças, muitas
gargalhadas, muitas travessuras etc., nós levamos nossas vidas de demônio e endemoniado com muita alegria, tristeza e dentre outros sentimentos que nos
mantém nessa consciência que chamamos de “Vida”. Foi um prazer te conhecer, jovem
demônio. Você foi um dos melhores presentes que tive!
sábado, 25 de janeiro de 2014
Relacionamento
Um
Relacionamento!
Relações, que vai relacionando, relacionando...
Relaciona
e conclui:
O
desejo que não flui,
A
necessidade que não têm
E
o amor inevitável...
Um
simples sorriso,
Um
aperto de mão
E
o perfume...
O
caminho de casa
Que
se relaciona.
Relações, que vai relacionando, relacionando...
Relaciona
e conclui:
O ciúmes que corrompe,
A
desconfiança que aparece...
Sem
motivos!
O
abraço...
O
perfume!
A
carta de amor
E
o amor...
Desfez-se!
Perdeu-se...
[Tudo
o aquilo que relacionou...].
Relações, que vai relacionando, relacionando...
O
coração dói
Depois
de tanto tempo...
Conclui
?
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