quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Abstinência







...e então, o pior aconteceu:


o prazer do alívio rápido foi maior que o desejo de liberdade

o prazer do conforto imediato foi mais tentador que a beleza da eternidade

o esforço inseguro enegreceu minha última chama...


não (quero) vou conseguir...



"Eu avisei!". 

domingo, 30 de agosto de 2015

Acidente



O escuro profundo tornou-se um tormento às minhas retinas fatigadas que,
 diante de uma pergunta sem respostas,
fez- me acordar pálido debaixo da tímida luz do luar.

O silêncio de outrora rompeu-se no momento em que essa questão veio
como um caminhão desgovernado,
e sem frear,
bateu de frente com a minha alma frágil e adormecida.

Apesar do susto;
da inquietude;
da pequena taquicardia;
do acidente sem traumas,
não houve vítimas.
Apenas o conforto de minha vitimização:
não há respostas!

Mas uma pequena fagulha caiu sobre o óleo derramado ao chão,
provocando uma estranha lembrança,
que logo transformou-se numa epifania aterrorizante!
A acanhada luminosidade da lua eclodiu um assustador clarão
que queimava minhas córneas
e apavorava o vermelho de minhas retinas!
Mesmo com a coberta quente sobre os olhos feridos,
não foi possível apagar as chamas da hipócrita resposta causada pela simples reminiscência:

Ninguém se machucaria, se eu não fosse negligente.


domingo, 12 de julho de 2015

Desbotado



O som ruidoso tocara minh'alma tão impulsivamente que,
 inconscientemente,
Meus sentimentos foram feridos desde o momento em que fui posto a esse lugar...
A luz que cegava meus olhos era de tão pura imagem que
Minhas lágrimas caíram sem pensar,
E sem o pesar de minha culpa,
Já imposta antes mesmo de minha chegada, 
Acolhido em seios calorosos e misericordiosos,
Provei do meu primeiro amor de maneira impulsiva e natural.

A vida é tão bela!

Mas,
A delicadeza do conforto tornou-se um tormento,
Como correntes presas à minh'alma valente!
Com a força dos meus braços,
A agilidade das minhas pernas, 
Fui capaz de derrubar o mais poderoso e temeroso dragão vermelho dos meus antigos pesadelos!
E Juntamente aos cavaleiros azuis e magos cor esmeralda,
 Também fui capaz de salvar as mais belas e as mais doces princesas!
Meus sentimentos foram compartilhados a ensurdecedoras gargalhadas, sem dor...
 Porém...
Tão antigos quanto à minha existência, 
Apenas o medo dos mesmos braços misericordiosos de outrora
Que me castigaram com a prisão de meus instintos!

A vida é tão...chata!

Meus instintos foram presos e massacrados,
E o único direito que minha carne possuía era a insatisfação do existir.
O coração aguentou os mais intensos sentimentos:
Tão bons como o olhar admirável de um anjo qualquer;
Tão amargas como a monotonia da vida.
Meus sentimentos foram feridos desde o momento em que fui posto a esse lugar...
Porém,
Sem nenhuma alma que pudesse abraçar as minhas dores.
A dor moldava a minha própria alma para sobreviver.

Qual é o sentido da vida?

Agora, a minha revolta é fundamentada no único átomo de de areia perdida no tempo,
Tão profunda quanto ao ódio da consciência constrangedora
É o vazio do meu existir...
Não sei se o que sinto é genuíno
Não sei se é real
pois...
Meus sentimentos foram feridos desde o momento em que fui posto a esse lugar...



sexta-feira, 20 de março de 2015

Inferno



Escuro...
O calor toma conta do meu corpo,
Mas o frio e o medo toma conta de minh’alma.
Meus desejos não passam de instintos
Que arrastam minha sanidade rumo à loucura...
Pútrido...
Meus sentidos mantêm-me acordado
Nesse pesadelo sem fim,
Em que meu único desejo
É a morte...
O cansaço toma conta dos membros
Que já não me pertencem mais.
Minha percepção acorda aos poucos
E aos poucos o desencarne se torna a luz que me mantém vivo!
Medo!
Dor...
Ódio!
Dor...
Nojo!
...
Prazer...
Medo...
Prazer!
Minha garganta carrega o muco do desespero
Que engasga a alma.
Prazer...
A solidão é a minha deusa.
Seus olhos são de pena,
Mas seu sorriso não me nega
Prazer...
Não mais quero ser salvo...
Minhas raízes foram decapitadas!
Cortadas!
Fatiadas!
Esquartejadas!
Minhas lágrimas secaram com o calor poluído
De mágoas, de ódio e...
Prazer!
O rebento do desespero me trouxe um sorriso
Maligno e prazeroso!
O caos alimenta minha vida
Tão viva quanto os rios desse mundo infernal...
Prazer!
A luz me afeta como a estaca que assassina o mortal
E ao imortal que teme a cada grão de areia fina
Que cai da ampulheta...
Deixe-me...
(Liberte-me!)
A eternidade me aguarda!
Saboreio o caos como o faminto na selva de fogo
Que ilumina a podridão das almas perdidas...


Liberte-me!!

sábado, 14 de março de 2015

14 de Março, Dia Nacional da Poesia





Ao Dia Nacional da Poesia!! 

À arte da palavra
Prestigiada quando as almas têm sede de compreensão,
Quando o mundo parece vazio aos olhares apaixonados 
Pela vida...

Aos Poetas profícuos e anônimos!
Que com suas rimas e sentimentos 
Tornaram-se lendas e exemplos,
E com o tempo tornaram-se tormentos
Nas salas de aula,
Com alunos sem conhecimento
De uma arte tão bela
Capaz de tocar a alma.

Aos registros de nossas paixões,
De nossas dores, revoltas, alegrias...
Sentimentos...
Que regem o homem-máquina, 
Sem que a máquina o saiba
Dos momentos guardados em nossos corações,
Das memórias registradas pelo mesmo,
Que se não sente
Não vive,
Não se expressa,
Não poesia...


Dia 14 de Março, Dia Nacional da Poesia ^_^

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Meu antepenúltimo encontro com: Dalila Leite​.





    "Vamos, vai ser legal!"- Foi o que me disse, em 2012, quando eu, você e o Ian​ fomos à Virada Cultural.
    Nós andamos muito, e, no meio do caminho, você decidiu, por força do clima festivo da cidade, comprar uma lata de cerveja de um cara estranho numa esquina que fedia a urina. Nesse momento, me lembrei das palavras de seu Pai/padrasto, que permitiu que você saisse na madrugada comigo com uma única e especial condição: "Tome conta da minha filhinha! Ela é meu bebê!". Na hora, quando eu vi você com uma nota de 10 reais na mão, pronta pra pegar a cerveja (sendo que ainda não era de maior idade), tive um pequeno impulso moralista e peguei no seu braço dizendo: "Você não vai comprar essa merda!". Lembro dos seus olhinhos arregalados com a cabeça inclinada, como se perguntasse: "Oi? Por que?". Mas era a minha responsabilidade, ou aquilo que eu acreditei ter, de irmão mais velho. Todavia, deixamos o suposto vendedor a ver navios....
    Finalmente, havíamos chegado ao palco, onde a banda Mutantes iria se apresentar. Eu NUNCA tinha ouvido falar nessa banda, mas acreditei que seria legal, pois você mesma disse que era legal!
      Então o show começou...
    Músicas que falavam de Dom Quixote, chicletes, "plift-plaft-pluft" etc., me faziam questionar o que era tudo aquilo. Eu olhava para o Ian, ele também olhava para mim e, sem pronunciar uma palavra se quer, dizíamos juntos: "Que p#rra é essa?"... até que essa questão foi silenciada de fato, quando eu via você pulando e cantando aquelas músicas malucas! Você estava tão viva, que mal pude criticar tal comportamento... eu também estava feliz, por você!  
     Foi quando essa música chegou...
    O cheiro de maconha estava insuportável. Eu estava cansado de ficar em pé. Mas foi quando um homem com cara de drogado ficou te olhando, e quando você veio para o meu lado, com medo dele, que eu estive disposto a entrar em uma briga, caso ele mexesse com você. Porém, tudo isso acabou quando a Balada do Louco começou. O centro de São Paulo se transformou em um manicômio a céu aberto. Meu acanhamento se foi quando essa música chegou aos nossos ouvidos. Eu me sentia vivo, e você viu isso. Eu me senti como mais um louco, e você me guiava nessa loucura. Toda a minha vergonha de viver tinha ido por água abaixo! Quem iria imaginar que uma banda dos anos 70-80 iria fazer me sentir vivo novamente? Isso não teria acontecido sem a sua presença.
    Depois daquele dia, o meu mundo começou a mudar...
"Por que eu tenho medo, vergonha ou receio de ser feliz?"
"Qual é o sentido da vida?"
"O que é viver?"
     Minha mente tornou-se um saco sem fundo de questões e insatisfações.
    Na época, eu ainda trabalhava como técnico de informática, na Vikstar. Uma ótima empresa, mas eu não gostava do meu ofício. Lá aprendi muitas coisas, mas nada comparado ao que você me ensinou naquele dia, por meio da arte, e em outros dias, por meio da vida...
"Eu vou passar o resto da minha vida trabalhando com algo que não gosto?"- Eu me questionava todos os dias, naquele ano.
    Foi quando, no final do ano, eu joguei tudo pro alto! Como aquele que é chamado de louco que rasga o dinheiro, eu larguei uma vida, financeiramente próspera, para caminhar em direção à minha felicidade, à minha essência! E isso tudo aconteceu porque você disse para mim, enquanto procurávamos o palco do Mutantes, que aquilo seria legal....

"Mas louco é quem me diz, e não é feliz... eu sou feliz."♪

Muito obrigado, Lila! Eu te amo, minha amiga!