Escuro...
O calor toma conta do meu corpo,
Mas o frio e o medo toma conta de minh’alma.
Meus desejos não passam de instintos
Que arrastam minha sanidade rumo à loucura...
Pútrido...
Meus sentidos mantêm-me acordado
Nesse pesadelo sem fim,
Em que meu único desejo
É a morte...
O cansaço toma conta dos membros
Que já não me pertencem mais.
Minha percepção acorda aos poucos
E aos poucos o desencarne se torna a luz que me mantém vivo!
Medo!
Dor...
Ódio!
Dor...
Nojo!
...
Prazer...
Medo...
Prazer!
Minha garganta carrega o muco do desespero
Que engasga a alma.
Prazer...
A solidão é a minha deusa.
Seus olhos são de pena,
Mas seu sorriso não me nega
Prazer...
Não mais quero ser salvo...
Minhas raízes foram decapitadas!
Cortadas!
Fatiadas!
Esquartejadas!
Minhas lágrimas secaram com o calor poluído
De mágoas, de ódio e...
Prazer!
O rebento do desespero me trouxe um sorriso
Maligno e prazeroso!
O caos alimenta minha vida
Tão viva quanto os rios desse mundo infernal...
Prazer!
A luz me afeta como a estaca que assassina o mortal
E ao imortal que teme a cada grão de areia fina
Que cai da ampulheta...
Deixe-me...
(Liberte-me!)
(Liberte-me!)
A eternidade me aguarda!
Saboreio o caos como o faminto na selva de fogo
Que ilumina a podridão das almas perdidas...
Liberte-me!!

