terça-feira, 12 de agosto de 2014

Monotonia rebelde




           De manhã minha consciência volta como tapa na cara. Desperto num susto, e me condeno por isso em vão. A consciência tenta dormir novamente, mas o susto novamente aparece como a visita de um ente não-querido ao som do telefone da sala, que toca loucamente implorando por atenção. No momento, a única fresta de consciência que tenho é o desejo de que a pessoa do outro lado da linha tenha um infarto fulminante... mas, como me arrependo fácil, dobro o meu corpo dolorido em “U” e ponho finalmente os pés no chão – enquanto isso, o telefone berra loucamente.

         Olho as horas do celular antigo: 07:12. O telefone já não quer mais atenção... filho da puta! A consciência torna-se um monstro violento que dá pancadas na minha cabeça, berrando, querendo que eu viva mais o dia, que eu colha os botões das flores da primavera antes que murchem – Maldito “Carpe Diem”!.

         Os insetos que estão na parede do meu quarto me veem, com suas barrigas lotadas, como um prato de comida com o resto do que sobrou da ceia da noite passada. Vejo um pouco de mim em cada um deles, e a cena de calmaria presente nos seus pequenos olhares cinzas me dá pequenos “tiques” de raiva
...
Filhos da puta!

        Penso em não fazer a higiene pessoal matinal, meu índice de rebeldia está alto o suficiente para cometer um assassinato, então não vou fazer mais BOSTA NENHUMA!
... 
Me arrependo novamente e faço o que tenho que fazer.

         O café da manhã não é mais o mesmo de anos atrás, quando era apenas uma criança que acordava com o mais carinhoso "bom dia" que uma mãe, que largou a sua vida para cuidar de mim, poderia oferecer; com o cheiro do pão com manteiga na chapa e o sol chegando pelas frestas da janela fechada. A única coisa que me sobrou, (in)felizmente, foi o pouco do simpático e caloroso sol, que ao meio dia torna-se um monstro de fogo que acaba com o couro e a raça de qualquer ser composto por água!

         Mal abro a janela do quarto, um som ruidoso, asqueroso, de letras tão vulgares quanto um vocabulário repleto de pornografias invade meu único espaço de tranquilidade. Um carro com o som nas alturas me faz pensar o porquê da existência de seres humanos que aderem a uma cultura vaga e sem nexo, assim como o dono desse automóvel-maldito. Sim, essa é a minha “primeira” reflexão do dia. Depois de um tempo, chego à conclusão de que TAMBÉM sou tão ser humano, que, para outros seres humanos, minha identidade cultural pode não ter sentido algum, quanto ao dono do automóvel-maldito
...
Maldito!
        
          Quando ligo a T.V, a moça linda do telejornal me cumprimenta apenas como parte do roteiro monótono que toda a capital segue durante essa hora da manhã, menos eu, que acordei tarde para o serviço. Percebo que estou atrasado, e então, com toda a educação que me deram na juventude, respondo: “Bom dia
...
Só se for pra você, sua filha da puta!".

sábado, 12 de abril de 2014

Prazer da carne


QUE ABRAM-SE OS PORTÕES DA IGNORÂNCIA!
Que minh'alma se emancipe de tudo o que há de ruim
- O conhecimento de tudo aquilo que o homem procurou!
Faça de mim, ó querida sociedade, mais um de seu aliado!
Me banhe com o elemento da púrpura do vinho,
Da música infernal e do prazer carnal!
Ó vida bela, tende piedade de mim!
O que o grandioso preparou não me interessa mais,
Assim como a bebida que não fornece o mesmo sabor pela temperatura.
Liberte-me da tentação do amor
Que tanto triste faz meu ser,
Ofertando de uma felicidade tão falsa quanto minha existência.
Dê-me a paz!
Dê-me o prazer!
O pão de cada dia não me basta!
A vida simples não me satisfaz!
O que me alimenta é a vontade de ser como tu, ó Deus!
Então não perca o meu tempo,
Que abram-se os portões da ignorância!
Deixe-me viver e desfrutar desse ciclo vazio!
Deleitar-me-ei dos vícios que aprisiona o homem sem conhecimento,
Deste que nada me serve, já que vivo aborrecido.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Sexta-feira: eu te odeio!




Sexta-feira, noite das noites
Que afoita as almas perdidas pelo descaso da ignorância.
Perdidas? Talvez...
Sexta-feira, noite de amor
Sentimento que queima sem fogo
Mas que queima tanto que machuca...
O grito de liberdade, de prazer, ó sexta-feira,
Eu não lhe darei!
Se meu grito te alimenta, terá meu grito de socorro!!
Pois minh'alma enovelou-se novamente,
Em um filme de terror que corre em minha realidade morta!!...
Perdida?! Completamente!!...
Sexta-feira, nunca pensei que diria isso,
Mas hoje, eu revelo...

Eu te odeio, Sexta-feira!!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Só enquanto eu respirar...





     O café está frio...
    O mundo acordou sem o seu sorriso de criança, e a consequência disso é a tristeza profunda...
    A sua ausência faz silêncio aos quatro cantos do universo. As nossas lembranças são o que nos mantém de pé, aos prantos...
    O susto do ontem repercutiu no choro do hoje, e repercutirá na incerteza do amanhã.
    Mas o que é incerto é o certo! Porque você me ensinou o que é a vida! Você me ensinou que é possível comemorar a primavera em pleno inverno...! E principalmente, me mostrou que somos capazes de sermos felizes com as coisas mais simples.
    Você partiu. E o único recado que você deixou para mim e para todos foi que você estava vivendo a sua vida ao máximo, sem ódio, rancor ou tristeza...
Espero que, onde quer que esteja, não se esqueça de nós. Assim como nunca nos esqueceremos de você. Onde quer que esteja, não fique triste, pois você partiu feliz.
   Então, por você ter sido uma das pessoas mais importantes que passou em minha vida, me despeço...
   Hoje não estou feliz. Meu coração está amassado como bolinha de papel. Mas eu juro, por tudo o que é sagrado, que serei a melhor pessoa que posso ser! 
   Você me salvou! Vou me lembrar de você, só enquanto eu respirar!


Até breve, Dalila Alves Leite. Obrigado por tudo!!!!!!!!!!



terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Vício



A noite afundava em agonia junto a um laptop. De repente, o farol verde da tela toma vida novamente: “Por favor, torture-me com suas palavras!”.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Kefrin



Em alguma quarta feira de Julho de 2007, era período de férias para todas as crianças travessas e adolescentes com seus sentimentos à flor da pele. Eu e meus amigos, Manuel, Roberto e Camila combinamos em uma noite anterior de sair para conhecer um pessoal. No começo tinha ficado um pouco sem jeito, pois sempre fui tímido e iríamos conhecer uns amigos do Roberto, que para o desgosto de toda a vizinhança, era um jovem bem estranho.
Nós todos nos encontramos em frente de casa e dali partimos rumo ao nosso destino. Roberto e Camila pareciam animados, eles namoravam naquela época. Mas eu e Manuel estávamos um pouco receosos. Porém, achei estranho o fato de Manuel estar desconfortável naquela situação, ele sempre foi o jovem mais alegre e sociável dentre todos ali.
Quando chegamos em frente ao local marcado, lembro-me de ter pensado e questionado o porquê de estar ali, pois se minha mãe me visse ali com certeza ela me mataria! Pensei...
 “Entrem com o pé direito e peçam licença” – disse Roberto entre dentes. Era um cemitério. Entramos todos, respeitosamente, assim como combinado. Ao passar o grande portão reparamos que a rua do cemitério estava deserta, mas não parecia que estávamos sozinhos. Isso me fazia mal. O dia não estava mais tão claro, sentia como se os mortos estivessem olhando com curiosidade e dizendo: “O que vocês estão fazendo aqui?”. Isso fazia meu coração me sufocar como se tivesse em desespero querendo se livrar daquela situação. 
A cada passo que dava em direção ao centro do cemitério era como a caminhada para a morte. Pensei em ir embora, mas como eu era o mais novo queria mostrar a todos que era maduro e corajoso o suficiente para conhecer esses amigos do Roberto. Minha rebeldia impedia que eu voltasse atrás, assim como forçava a desafiar tudo aquilo que era proibido para mim. A rebeldia dos meus 13 anos de idade me animava um pouco, mas, mesmo assim, eu sabia que estava indo longe de mais.
Sentamos em alguns bancos que tinha no meio do pátio de túmulos. Por um momento me senti mais confortável. A nuvem que cobria o sol já havia ido embora. Camila e Roberto acenderam seus cigarros Marlboro, Roberto tirou duas garrafas de vinho barato de uma sacola de supermercado e me ofereceu. Manuel também acendeu um cigarro, pensei em pegar um também, mas eu não gostava do cheiro e não sabia tragar. Fiquei apenas com a bebida.
“Um dos meus amigos não poderá vir” – disse Roberto acendendo o cigarro na boca. Eu ouvi e senti um grande alívio, mas durou pouco quando ele disse que o “outro amigo” queria me conhecer.              Senti um frio na espinha.
 Depois de dar um grande gole na garrafa de vinho, impulsionado pela minha rebeldia,ao invés de perguntar o porquê desse amigo querer me conhecer, falei para o Roberto chamar ele logo. Ele deu uma gargalhada rouca e disse: “está bem!”. 
Roberto sentou de cabeça baixa, fechou os olhos com as mãos unidas como uma prece, falava baixo como se orasse ao seu “Deus”, mas não para pedir perdão, e sim como uma ordem. O vento soprou mais forte nesse momento e eu perdi o interesse no vinho barato, senti o líquido voltando do meu estômago. Me distraí olhando para o sobretudo negro de Roberto, quando de repente ouvi a sua voz, estava um pouco mais rouca do que o normal, e isso me assustou. “Olá jovem ritualista”- disse o que deveria ser o Roberto.
Na hora senti como estivesse falando com minha própria morte, minha garganta apertou como se alguém estivesse me sufocando. Minha rebeldia se converteu em um pavor que não pude descrever. Tentei ignorar, mas sabia que era comigo com quem “ele” estava falando. “Não se assuste, meu nome é Kefrin! Serei o seu guia a partir de hoje” – disse Kefrin, como se acabasse de acordar de um sono profundo.  Com o pouco de coragem que me restou, sabia que não estava ouvindo mais o Roberto, a presença era realmente de outra pessoa, ou entidade; perguntei: “Como assim meu guia? Quem é você?”. ”Sou um demônio, o mais jovem dos meus 6 irmãos. Serei seu guia até a hora de sua morte” – Kefrin respondeu e terminou com uma gargalhada extremamente rouca.
Lembro-me de sentir como se tivesse ganhado o pior presente do mundo, não apenas aquele que não traz satisfação, mas aquele que traz problemas. O pior dos problemas eu arrumei para mim desde o momento que pisei no cemitério, inflado com o ego e a rebeldia dos meus 13 anos de idade. Pensei em orar o pai nosso, mas fui surpreendido por Camila que gargalhava e dizia que não tinha mais jeito. "Eles gostou de você!" - disse ela rindo. Se aquilo fosse um pacto com o demônio, com certeza fui prestigiado. Eu sentia a minha culpa como as batidas do meu coração, nem queria imaginar como seria minha vida depois desse encontro, estava desesperado.
Depois de 2 minutos, que mais pareciam 2 horas de terror, Kefrin desmaiou, ou aquilo que deveria ser o corpo de Roberto. Camila lhe deu um beijo na boca e depois deu um trago no cigarro ainda pela metade. Aquilo foi um beijo tão forçado quanto a minha vontade de continuar ali. Quando olhei para o lado, reparei que Manuel olhava para cima. O pavor dos seus olhos verdes era nítido. O pavor tomou conta de sua personalidade astuta, e ele correu como se sua vida estivesse em perigo.
 Ainda no chão, Roberto disse para ir atrás de Manuel e que não deixasse sair do cemitério. Não pensei duas vezes, corri atrás de Manuel, não para impedi-lo, mas para fugir daquele pesadelo junto com ele. A rua do cemitério parecia não ter fim, parecia que os espíritos desencarnados puxavam o asfalto como se fosse um tapete de esteira. Os mortos zombavam de nossas caras apavoradas. O cansaço chegava em minhas pernas, mas a lembrança de Kefrin era poderosa o suficiente, capaz de dar forças para enfrentar aquela rua sem fim.
Quando menos esperei, estava fora do cemitério do outro lado da avenida ao lado de Manuel, que chorava muito.“Senti como se fosse morrer, cara. Nunca mais quero fazer isso, vou me distanciar desses caras” “ – dizia Manuel numa voz chorosa. E dali fomos embora, cada um para sua casa.
Cheguei em casa em passos rápidos, não pensei em voltar para saber de Roberto, da Camila, e muito menos de Kefrin. A casa estava sozinha. Entrei no meu quarto e me tranquei assustado. E se Kefrin realmente tinha se tornado o meu guia, ele poderia, pelo menos, fazer a gentileza de me dar um tempo de privacidade. Acredito que ele ouviu a minha prece. 

Em algum dia nos dias de hoje, depois de um bom tempo, resolvi registrar uma informação no diário que tive após a minha adolescência rebelde: “como conheci Kefrin”. Posso dizer que nos tornamos grandes amigos, e que aquela relação de guia e guiado nunca existiu, e se existe, mais pareceu como uma dupla de idiotas que não sabem para onde vão. E com muitas discussões, muitas desavenças, muitas gargalhadas, muitas travessuras etc., nós levamos nossas vidas de demônio e endemoniado com muita alegria, tristeza e dentre outros sentimentos que nos mantém nessa consciência que chamamos de “Vida”. Foi um prazer te conhecer, jovem demônio. Você foi um dos melhores presentes que tive!




sábado, 25 de janeiro de 2014

Juventude




Nessa rua o coração bateu mais forte
Morreu com o tempo a ansiedade...
Nasceu nela a saudade.

Imperfeição




Limite da vida
Ápice do mundo, das coisas...
Perfeição? Para mim, já chega!

Casa de boneca



Uma vida perfeita
Menina perfeita, casa perfeita...
“quanto custa, moço?”

Carta de amor




Fragmento da juventude
Borboletas no lixo,
Coração queima frio minha culpa...

Relacionamento




Um Relacionamento!
Relações, que vai relacionando, relacionando...
Relaciona e conclui:
O desejo que não flui,
A necessidade que não têm
E o amor inevitável...
Um simples sorriso,
Um aperto de mão
E o perfume...
O caminho de casa
Que se relaciona.
Relações, que vai relacionando, relacionando...
Relaciona e conclui:
O ciúmes que corrompe,
A desconfiança que aparece...
Sem motivos!
O abraço...
O perfume!
A carta de amor
E o amor...
Desfez-se!
Perdeu-se...
[Tudo o aquilo que relacionou...].
Relações, que vai relacionando, relacionando...
O coração dói
Depois de tanto tempo...

Conclui ?